O registro da transmissão dos saberes ameríndios, em especial o idioma, marca a presença de uma etnia e sua história. A Editora Pachamama objetiva publicar livros indígenas bilíngues, de autores indígenas, que registrem a Historia Ancestral e do Tempo Presente dos Povos Originários.

Acreditamos que a palavra escrita é diálogo, um espaço de memória um movimento que se propaga.  Apresentaremos nas narrativas dos livros, além do idioma, especificidades como costumes, medicina, espiritualidades, danças, músicas dentre outros elementos culturais. As publicações evidenciam a presença indígena na sociedade e a valoriza autores indígenas.

Com o diferencial de publicação de livros bilíngues, defendemos o Idioma como Patrimônio Imaterial dos Povos Originário. Representa uma produção simbólica carregada de diferentes valores e capaz de expressar as experiências sociais indígenas, seus costumes e existência.  A importância de conservar o que consideramos parte de um Patrimônio está no fato deste se constituir registro material da cultura, da expressão artística, da forma de pensar e sentir das comunidades indígenas, que vem sendo aniquiladas ao longo de nossa História.

Ressaltamos ainda que, de acordo com a lei 11.645- responsável por inserir a história afro-brasileira e africana nos currículos escolares-  acrescida a obrigatoriedade do ensino da cultura e história indígena à lei 10.639, de 2003, , percebe-se uma lacuna na execução de tal determinação. O registro de obras bilíngues intenta corroborar para que tal determinação, em especial ao que se refere à questão indígena, seja executada e respeitada.

A oralidade, por séculos, foi a forma de preservação das Culturas dos Povos Originários, mas hoje o registro é indispensável para que tais histórias não sejam esquecidas e/ou extintas. Disponibilizar o acesso aos bens do patrimônio cultural e de memória dos povos originários brasileiros é de grande importância como legado às futuras gerações. A participação de indígenas nas construções coletivas voltadas para o livro é um grande incentivo para a atuação cidadã.

A palavra que se desdobra a partir de quem as lê deve estimular o nosso compromisso com as transformações necessárias para uma sociedade igualitária e democrática. O livro, para além de sua função de registro, é lugar de memória, afetividade e existência do indígena brasileiro. Xuteh Boacé Tapera! Poeth Boacé. Mygutycara!

Aline Pachamama- etnia Puri