Por  Aline Rochedo Pachamama-Puri

É muito importante que as pessoas tenham conhecimento e consciência sobre quem é o indígena na atualidade. Infelizmente existe muito desrespeito com a identidade indígena. Esclarecemos que não é o raion (não-indígena) que define quem é indígena. Mas é com frequência que escutamos frases como: “Você é índio de verdade?”, “Mas não tem cara de índio!”, “onde está a tua aldeia”, “ o que faz na cidade?” dentre outras. Querem que o indígena se enquadre dentro de uma imagem estereotipada, pautada em um padrão que nunca existiu. Tal padrão sustenta a ideia de que os indígenas são todos iguais, tanto fisicamente quanto culturalmente.

Faz-se necessário conhecer como é o indígena real e respeita-lo, seja qual for sua aparência, sua cultura, morando na floresta, no campo ou na cidade

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Desde o inicio da colonização nos estereotipam: ora o índio é considerado um  “selvagem”, sem alma; ora como “não indígena”. Faz-se necessário conhecer como é o indígena real e respeita-lo, seja qual for sua aparência, sua cultura, morando na floresta, no campo ou na cidade.

Indígenas em contexto urbano

O preconceito que nós, indígenas em situação urbana, sofremos por estarmos na cidade também ocorre.  E se estamos na cidade não foi porque sonhávamos em estar aqui.  Preferimos viver na floresta, na aldeia, em um contexto mais propício para a prática plena de nossa cultura e ao respeito à natureza. Mas onde e como está a floresta, os rios, as serras? Como estão nossas terras tradicionais? Muitas vezes já totalmente devastadas pelo raion ( lê-se aqui os herdeiros dos barões do café e senhores de engenho, agronegociantes) ou extremamente reduzidas, sem condições de subsistência para o modo tradicional indígena. Nossas terras viraram pasto para o gado, cafezal, plantação de soja, eucalipto, etc.

O indígena atual rompe de várias formas com estereótipos

Não existe uma única cultura indígena. Somos uma diversidade de culturas, um universo com milhares de formas. Não somos seres do passado, mitológicos ou figuras referenciadas em livros didáticos que apenas nos minimizam.  Somos Povos do Presente e fundamentais para o futuro do nosso planeta. A Terra é nossa mãe, praticamos e valorizamos o respeito para com ela e os seres que nela habitam. Se “os que se dizem civilizados” não aprendem com os povos originários esse respeito, não haverá futuro para ninguém.

O indígena atual rompe de várias formas com o estereótipo do senso comum. Ele é cidadão. Estamos em todos os lugares. Milhares estão nas cidades e também no campo. Estudam, fazem faculdade e exercem várias profissões.

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Este é o momento de findarem os julgamentos. Somos o que transmitimos, praticamos e valorizamos. Que seja respeitada a auto determinação dos povos, conforme garantida pela convenção 169 da OIT sobre Povos Indígenas e Tribais, promulgada pelo decreto nº 5.051/2004, em seu artigo 1º, que afirma que “a consciência de identidade indígena ou tribal deverá ser considerada como critério fundamental para determinar os grupos aos que se aplicam as disposições da presente Convenção” e conforme o Estatuto do Índio (Lei 6.001/73) que, em seu artigo 3º, define indígena como “…todo indivíduo de origem e ascendência pré-colombiana que se identifica e é identificado como pertencente a um grupo étnico cujas características culturais o distinguem da sociedade nacional”.

ABHICHÔGUÊH! BHITANAH PUKY!

                               

PACHAMAMA (1) Aline Rochedo PachamamaPuri– da etnia puri- é poeta-escritora, editora e historiadora. Idealizadora e Diretora da Pachamama Editora, mestre em História Social pela UFFe doutoranda em História Cultural pela UFRRJ. Participa do Movimento dos Povos Originários, no Rio de Janeiro, elaborando projetos em prol da Divulgação da Cultura Indígena. Em julho de 2016 lançou o projeto “Literatura Indígena Bilíngue”, da Pachamama Editora, publicando o primeiro livro bilíngue do Tronco Macro-Jê.